Você passou duas semanas escolhendo a foto de capa. Cola o link no WhatsApp para mandar à sua mãe, primeiro teste antes de mandar para os cento e poucos convidados, e o que aparece é isto: uma linha de texto azul, o endereço do site, mais nada. Nenhuma foto, nenhum "Ana e Rafael, 14 de março".
O WhatsApp não está implicando com você. Ele nunca abriu o seu site.
O que acontece quando você cola um link
Quando você cola um endereço na caixa de mensagem, o WhatsApp faz uma visita muito rápida àquela página. Não é a visita que você faz. Ele não espera as fotos carregarem, não rola a tela, não clica em nada. Ele lê o começo do arquivo procurando quatro informações que o site deveria ter deixado escritas ali de propósito: o título que vai aparecer no preview, uma descrição de uma linha, o endereço da imagem de capa e o endereço oficial da página.
Essas quatro linhas têm nome. Chamam-se Open Graph, uma convenção que o Facebook criou em 2010 e que hoje o WhatsApp, o Telegram, o iMessage e o LinkedIn usam. Se elas estão lá, o preview aparece. Se não estão, o aplicativo mostra o que sobrou, que é o endereço cru.
Os três motivos de dar errado
O mais comum de longe é o site montar tudo depois. Muitas plataformas entregam uma página praticamente vazia e desenham o conteúdo já dentro do navegador, com JavaScript. Para você, que espera dois segundos, funciona. Para o robô do WhatsApp, que lê e vai embora, a página estava em branco quando ele passou. É o caso mais frustrante justamente porque o site parece perfeito quando você abre.
O segundo é a imagem, e ela cai por duas razões. Uma é o peso: foto muito grande costuma ser ignorada, e vale manter a capa em algumas centenas de kilobytes em vez de vários megabytes direto da câmera. A outra é a proporção. O preview é um retângulo deitado, na faixa de 1200 por 630 pixels. Se a sua foto está em pé, o aplicativo corta o meio, e o meio de uma foto de casal em pé costuma ser a barriga dos dois.
O terceiro é o encurtador. Encurtar o link parece elegante e quase sempre piora: dependendo do serviço, o preview que aparece é o do encurtador e não o do seu convite, e alguns nem chegam a seguir até o destino.
O detalhe que quase ninguém sabe
O preview não é montado na hora em que a pessoa lê. Ele é montado na hora em que você envia, e viaja junto com a mensagem, como um anexo pequeno.
A consequência prática é desconfortável. Se você mandou o link para trinta pessoas e depois trocou a foto de capa, aquelas trinta pessoas continuam com a capa antiga na conversa. Não existe botão para atualizar. O que já foi, foi.
Some a isso o fato de que o próprio WhatsApp guarda em memória o preview de um endereço que já viu, e sobra uma única regra que importa aqui: teste antes de mandar para todo mundo. Manda para você mesmo, ou para uma pessoa só, e olha.
Se o preview já saiu errado e você corrigiu o site, o jeito de forçar um novo é mudar um pouquinho o endereço. Acrescentar um ?2 no final costuma bastar para o aplicativo tratar como link novo.
Por que não mandar o convite como imagem ou PDF
É a alternativa mais tentada, e custa mais do que parece.
Uma imagem chega bonita e para por aí. Ninguém clica num JPEG, então o mapa não abre, o horário não atualiza quando muda, e a confirmação de presença vira uma conversa individual com cada convidado. Um PDF é pior: pesa, abre num aplicativo separado, é ilegível no celular sem dar zoom, e em muitos aparelhos nem miniatura tem.
Os dois têm o mesmo defeito de fundo, que é o defeito do papel. São mensagens de mão única. O convite chega e nada volta.
Checklist de um minuto antes de mandar para cem pessoas
- Mande o link para você mesmo, sozinho, numa conversa qualquer.
- Confira se aparecem imagem, título e uma linha de descrição.
- Olhe o corte da imagem. Se estiver em pé, troque por uma deitada.
- Abra o link pelo próprio WhatsApp, no celular, não no computador.
- Peça para uma pessoa de iPhone e uma de Android confirmarem que viram a mesma coisa.
Se passou nos cinco, pode mandar para a lista inteira.
Uma escolha nossa que vale explicar
As páginas de casamento do Casa&Casar já saem com essas quatro linhas preenchidas, incluindo o nome do casal e o começo da história que vocês escreveram, então o link nunca chega como texto pelado.
Mas elas também pedem aos buscadores que não indexem a página. É deliberado. Um convite tem endereço, horário e o nome de duas famílias, e a maioria dos casais não quer que isso apareça numa busca pelo próprio nome daqui a cinco anos. O link continua funcionando normalmente para quem recebe, e o preview no WhatsApp continua aparecendo. O que não acontece é virar resultado de busca.
São duas coisas diferentes que costumam ser confundidas: aparecer bem quando alguém compartilha não é a mesma coisa que aparecer no Google. Você quer a primeira. Provavelmente não quer a segunda.
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