Cem convites. É o número que quase todo casal chuta na primeira conversa, antes de ter lista, antes de ter local, às vezes antes de ter data. E a partir dele começa uma comparação que quase sempre para no lugar errado: quanto custa o papel.
O papel é a parte barata da conta.
O que a gráfica cobra
Os preços praticados no Brasil em 2026 ficam mais ou menos assim. Um convite impresso simples sai entre R$ 2 e R$ 10 a unidade. Papel artesanal sobe para a faixa de R$ 5 a R$ 20. Quando entram gramatura alta, envelope forrado, lacre de cera ou relevo, a unidade vai de R$ 8 a R$ 45, e passar disso nos modelos mais elaborados é comum. Pacotes fechados de cem costumam sair de R$ 130 a R$ 250 nas opções mais diretas.
É um número honesto, e é onde a maioria das comparações termina.
O que a gráfica não cobra
A arte é o primeiro item de fora. Se você não usa um modelo pronto, alguém desenha, cobra por isso, e cobra de novo quando o horário da cerimônia muda depois da aprovação.
Depois vem a prova física, que quase toda gráfica cobra à parte. E você quer a prova física, porque a cor da tela não é a cor do papel.
A entrega é a que mais surpreende. Cem convites não se entregam sozinhos. Ou você paga correio por envelope, ou paga motoboy por região, ou gasta três fins de semana entregando em mão. Três fins de semana a quatro meses do casamento são caros de um jeito que não aparece em nota fiscal.
E sempre tem erro. O sobrenome escrito errado, o endereço que mudou, o casal que separou entre a impressão e a postagem, o primo que ninguém lembrou e que descobriu pelo Instagram. Cada correção vira tiragem avulsa, que é o tipo de pedido mais caro que uma gráfica faz.
A conta que decide
Vale fazer uma vez, mesmo que dê preguiça. Some arte, prova, tiragem, entrega e reimpressões, e divida esse total pelo número de convites que chegaram na mão de alguém.
A divisão é a parte cruel. Você imprime cem, entrega noventa e dois, e paga pelos cem. O convite que ficou na caixa custou exatamente o mesmo que o que foi parar na geladeira da sua sogra.
Onde o impresso ganha
Vale dizer com todas as letras, porque quem vende site de casamento tem interesse em não dizer.
Tem gente na sua lista que não abre link. A avó que não usa WhatsApp, o tio que trata mensagem de número desconhecido como golpe (e ele está certo, aliás). Para essas pessoas o convite impresso é o único canal que funciona.
Existe também a parte que não é logística. Convite impresso é objeto. Fica na porta da geladeira, entra no álbum, é a coisa que a mãe da noiva guarda numa caixa. Nenhum link faz isso, e quem quer esse objeto deve ter esse objeto. A decisão aí é afetiva, não financeira.
O que mudou é que essas duas coisas não exigem mais cem unidades.
O híbrido, que é para onde tudo está indo
A tendência de 2026 nos convites brasileiros não é o digital substituir o papel. É o papel encolher e apontar para o digital: tiragem pequena, bonita, cara por unidade e barata no total, com um QR code levando para a página onde mora o resto (mapa, horário, traje, lista de presentes, confirmação de presença).
Isso resolve um problema do papel que preço nenhum resolve.
O que o papel não faz
Um convite impresso é uma mensagem de mão única. Ele sai da sua casa e não volta.
Tudo o que você precisa saber depois, como quem vem, quem não vem, quem traz acompanhante, quem não come glúten e quem vai levar a criança que você não convidou, exige um segundo trabalho inteiro para ser descoberto. Na prática esse trabalho é a mãe da noiva ligando para quarenta pessoas na semana em que o buffet fecha o número.
É por isso que comparar preço por unidade engana. A escolha real não é entre papel e pixel, é entre um convite que só informa e um que também recolhe resposta.
E a resposta é a parte barata de resolver e a cara de errar. Errar para cima significa pagar prato que ninguém comeu. Errar para baixo significa convidado em pé.
Como eu decidiria
Se o seu casamento tem menos de sessenta pessoas e todas moram na mesma cidade, imprima. É pouco dinheiro e a entrega em mão vira passeio.
Se passa de cem, imprima vinte, para padrinhos, pais, avós e quem você quer que guarde, e mande o link para o resto. A economia paga a diferença de acabamento nesses vinte, e você termina com um convite melhor do que teria com cem.
Nos dois casos, tenha uma página que responda.
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